Parklets: instalações começam a ocupar Lisboa.


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Subtrair espaço ao betão e transformá-lo num local de fruição e convívio é o grande objetivo dos parklets. Criados na progressista cidade de São Francisco na costa oeste dos Estados Unidos, estes pequenos oásis em plena cidade multiplicaram-se por todo o mundo e acabaram de chegar a Portugal, mais concretamente a Lisboa, cidade que tem oito projetos de parklets na manga.

Para já, Lisboa é a primeira cidade portuguesa a adoptar este conceito que “rouba” lugares de estacionamento aos carros para “estacionar pessoas” com a instalação de parklets junto ao Mercado de Arroios (primeiro a ser inaugurado), Rua General Taborda e na Rua Columbano Bordalo Pinheiro, estando previstas as instalações de mais cinco destes parklets, quatro em Campolide e um no Beato.

A instalação destas pequenas zonas verdes na capital fazem parte do projeto-piloto “sParqs”, uma iniciativa da cooperativa BiciCultura que acabou por contar com vários apoios públicos (Juntas de Freguesia, C.M. de Lisboa e Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente, por exemplo) e um privado, no caso a empresa de mobiliário urbano VECO Urban Design, que desenhou e instalou a totalidade dos parklets já inaugurados.

Para além de transformar zonas que outrora eram lugares de estacionamento em espaços equipados com pequenos bancos e apontamentos verdes (vasos com flores e pequenas árvores, por exemplo) onde as pessoas podem usufruir de momentos de relaxamento, este projeto que inaugura a primeira rede de parklets em Portugal tem um propósito ainda mais ambicioso.

Parklets irão promover os negócios e a Cultura

O projecto “sParqs” visará não só criar oito parklets na cidade, mas também avaliar o impacto que têm na promoção do convívio social e na alavancagem dos negócios dos lojistas das imediações, dado que as suas montras passam a estar completamente visíveis, sem carros estacionados em frente, e mais pessoas podem passar a frequentar a zona junto às lojas.

E porque tudo isto é feito para as pessoas, estas terão ainda uma palavra a dizer na disseminação e construção desta ideia de “repovoamento verde” em outros locais da cidade que não os já planeados.

Neste sentido, a BiciCultura vai abrir caminho para que o cidadão comum venha a pedir licenciamento à Câmara Municipal de Lisboa para a criação de novos parklets através de um serviço “chave na mão” de criação e instalação de novos parklets.

Na prática, este serviço significa que esta cooperativa vai encarregar-se de todos os passos, desde o pedido de licenciamento à Câmara ao desenho do parklet e instalação de todos os elementos de mobiliário urbano: bancos, floreiras, árvores ou até mesmo redes para as crianças treparem e peças de parque infantil.

A criatividade e a necessidade de cada população serão os únicos mediadores em todo este processo.

Necessidade e criatividade que se exprimem ainda numa outra vertente: a cultural.

Depois de contruídas, estas novas mini-centralidades são espaços onde, além da fruição do verde em espaço urbano por parte dos cidadãos, podem decorrer eventos de poesia, leitura, desenho, música, gastronomia – eventos esses promovidos pelo detentor do espaço, seja ele um morador ou grupo de cidadãos, ou uma loja.